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1 de novembro de 2016

Delação valiosa


 

A traição política tem se tornado uma prática cada vez mais comum na justiça brasileira. Isso se deve ao fato de que entregar outras pessoas envolvidas no crime pode acarretar considerável redução na pena que o delator deve cumprir. Há evidências de que essa prática não é algo exclusivo da modernidade, ocorrendo outras vezes em tempos bem remotos.

Há quem se oponha à chamada “delação premiada” por alegar que se trata de acobertar um corrupto. Por esse lado, é preciso considerar que aliviar a punição de um indivíduo pode levar à justiça os que planejaram e executaram crimes muito piores. Podemos notar isto no caso de um ex-deputado que promete entregar mais de 200 companheiros. Dessa forma, é inquestionável que é uma ação para um bem maior. Afinal, trata-se de centenas de pessoas que feriram os direitos humanos, desviando milhões de verbas que seriam destinadas à saúde, educação e outros direitos básicos do ser humano.

Como já indicava Getúlio Vargas, que presidiu o Brasil por 15 anos: “Dentro da política não existem amigos”. Por essa via, podemos considerar que a delação premiada não se trata de uma traição, tendo em vista que se tornou frequente a troca de favores na política brasileira. Tal prática é mais antiga do que se imagina. Existe desde a época de Cristo, quando o mesmo foi entregue aos seus captores por Judas que trocou a traição por 30 moedas de prata.

Não é difícil entender que a delação premiada trata-se de uma continuação da troca de favores já conhecida pelos políticos corruptos. Dessa vez, no entanto, essa negociação é com a Justiça. Assim sendo, as regalias dos criminosos não são tão grandiosas como eram acostumados a receber em práticas ilegais. Por isso, caberá à sociedade a reflexão se é mais beneficiador prender toda quadrilha, mesmo que isso custe redução da pena de um criminoso. Para isso, deve-se considerar que, mesmo delatando, o delator torna-se inelegível por oito anos. Evidentemente, estaríamos pagando um baixo preço por algo que vale muito a pena para a sociedade brasileira.

 

Autora: Laura Marins. Aluna do Centro de Escrita Regina Magalhães.

 

Tema: A delação premiada é traição?


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