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9 de setembro de 2019

Divisão paradoxal


 

Os nordestinos brasileiros sofrem, majoritariamente, com a carência de cordialidade em seu próprio país. Dessa forma, enfatiza-se esse panorama pelo quadro de Cândido Portinari, pintado em 1944 e nomeado “Os Retirantes”, o qual flerta com os empecilhos vivenciados pelos nativos do Nordeste. Por este contexto, dita-se que a política de exclusão, oriunda de um preconceito histórico, projeta as lástimas no território. Por este viés, vale a pena mencionar que essa injúria ocorre tanto em âmbito nacional quanto estadual.

O preconceito dividiu o Brasil em duas cores, uma evidencia-se representada pelo Nordeste, a partir de seus tons de seca e tristeza, em antítese com a segunda, demonstrada pela tonalidade do eufórico desenvolvimento do Sudeste. Nesse contexto de gritantes diferenças, situa-se uma preferência pelos nativos dos estados mais economicamente estruturados em detrimento dos nordestinos. Dessa forma, merece atenção a etimologia da palavra cordial, derivada do latim “cordialis”, que significa sinceridade, afabilidade e amabilidade. Vale a pena sublinhar que esse nobre termo não traduz a relação do país com a região excluída, como simboliza a própria construção de Brasília, capital da nação, a qual empregou a mão de obra nordestina em sua estruturação, todavia a descartou como moradores, formando, por consequência, as cidades-satélites. Por este ângulo de falta de empatia, apresenta-se um recorrente desprestígio vivenciado por esta população abandonada e ancorado pelo ícone da própria pátria.

Sob outra ótica, também evidencia-se o Nordeste dividido em um paradoxo entre as elites favorecidas e a pobreza infinita. Exemplifica-se esse viés por um curioso fato: esse estado é reconhecido por suas vinícolas, as quais demandam uma grande quantidade de água. Em contrapartida, a região apresenta uma letal seca, como demonstra o quadro “Os Retirantes”. Nesse contexto, dita-se que a raiz histórica dessa divergência econômico-social iniciou-se com a colonização do Brasil, efetivada na década de 1530 e no próprio Nordeste. Dessa forma, perpetua-se ainda, no local, algumas práticas feudais, beirando o cultural, a dominação e a vantagem de alguns poucos sobre outros muitos. Por esta perspectiva, denota-se que a cordialidade interna ainda carece para os nordestinos.

Diante do que foi supracitado, dita-se que a deficiente presença da cordialidade se apresenta calcada no preconceito histórico. Dessa forma, cita-se Confúcio, filósofo chinês, o qual sustenta: “Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha”. Por esta perspectiva, pequenas mudanças resultarão em grandiosas consequências. Nessa ótica, parece uma boa proposta mudar a cultura de exclusão a partir de investimentos na educação, tanto a partir da valorização do Nordeste, quanto retirando a característica de alijamento em relação às lástimas locais. Por esta possível solução, o panorama vivenciado no quadro “Os Retirantes” seria gradativamente substituído por tonalidades de cordialidade.

Autora:  Bárbara Costa Berriel Abreu. Aluna do Centro de Escrita Regina Magalhães.

Tema: O Brasil é um país cordial com os nordestinos brasileiros?

 


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