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10 de setembro de 2017

Do lobo ao homem misantrópico


 

 

  A análise política do filósofo inglês Thomas Hobbes fundamenta-se na máxima: “O homem é o lobo do homem”. No Brasil, como reflexo da tensão sociocultural pós-moderna, há expansão prática dessa afirmativa. Em verdade, o medo, explicitado em ódio, não só marca a exaltação dos discursos globais, mas também a banalização da misantropia, isto é, a aversão ao homem.

  Em primeira instância, pode-se destacar que o Brasil sofre influência das tendências mundiais, devido à globalização. É possível destacar que, nos últimos meses, houve aumento dos ataques do Estado Islâmico à Europa. A atmosfera de medo, gerada pela ação terrorista, culmina com a banalização sistêmica da xenofobia. É importante refletir que os brasileiros, como destaca Sérgio Buarque de Holanda, apresentam comportamento “cordial”. Tal cultura cria um ambiente que confunde o público com o privado, além de abrir caminho para o velamento dos preconceitos. Porém, aquele fenômeno uniformizador da cultura mundial afetou a maleabilidade do carioca, recentemente, na cidade do Rio de Janeiro, em plena praia de Copacabana, quando houve uma manifestação com ataques verbais ao imigrante sírio Mohamad Ali.

  Acrescente-se a esse quadro, a padronização da misantropia na sociedade global. É importante destacar que a democracia se encontra, realmente, ameaçada pela reafirmação de doutrinas de exaltação da morte aos indivíduos fora do eixo fenotípico ideal, por exemplo. Este comportamento retrata a reafirmação de valores nazista na Virgínia, como o exemplo da manifestação de extrema-direita em Charlottesville. No Brasil, o problema é a ampliação de valores fascistas que tendem a atos de intolerância aos negros, indígenas, homossexuais e partidários da esquerda.

   Por todos os aspectos, percebe-se que a intolerância é uma banalização em escala global. É imperativo, pois, que os Estados busquem a afirmação do valor da vida humana e da justiça social. Além disso, é fundamental que atitudes como a da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ – que pediu desculpas pela perseguição sofrida por Lima Barreto, em 1897, levando o escritor a abandonar o curso de Engenharia, tornem-se comuns no país.

 

   Autor: Luann Joviniano Chagas. Vestibulando. Aluno do Centro de Escrita Regina Magalhães.

 

   Tema: Viver entre a tensão e a misantropia.

 


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