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3 de junho de 2017

Escola da eugenia


 

  As escolas brasileiras são palcos de grande violência e precariedade. A falta de segurança ao seu redor e dentro de suas estruturas colocam em risco a vida de alunos e professores, além de afetar o aprendizado e a vontade de estudar dos jovens e crianças. Motivado por esses problemas, o atual prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, defende a ideia de cercar com muros partes da cidade, como as escolas em zona de risco, dando vazão ao princípio da eugenia.

 

  A mixofobia simboliza a criação de ilhas de similaridade e tal conceito foi criado pelo filósofo Zygmunt Bauman. Podendo ser visto cotidianamente, o processo de condominização, por meio de cercamento com muros, acelera a descaracterização cultural. Isto contrasta com essa ideologia nas escolas, que buscam a alteridade e a troca de conhecimentos e realidades, inserindo a criança na diversidade do mundo em que vivem.

 

  Blindar as escolas transformará os ambientes escolares em prisões com inocentes atrás das grades. A ideia apresenta uma ilusão de segurança, pois negligencia a liberdade dos indivíduos e a necessidade urgente de uma efetiva política de segurança púbica. A escola não deve restringir a mobilidade social, nem colocar em risco o capital cultural, que é responsável pelo melhor desenvolvimento escolar, tendo sempre a escola integrada à sociedade.

 

  O fundamento do tucano que constrói o seu ninho em consentida clausura, tendo a fêmea aprisionada, a fim de manter a segurança de seus ovos é análogo ao princípio da eugenia, feito por nós, humanos. Ao demarcar-se do outro, do estranho, como se fossem ameaças à integridade, perde-se o aprendizado com as diferenças. Para evitar a perda de alteridade, as escolas devem oferecer um método de ensino motivador e eficiente, fazendo com que jovens não desviem do caminho do bem. Outra medida necessária é uma política de segurança pública que retire infratores e os resgatem do crime ao invés de atirar e pôr em risco todos à volta. A diferença enriquece, mas é o respeito que une uma sociedade.

 

  Autora: Anne Claire Chenu. Aluna do Centro de Escrita Regina Magalhães.

 

  Tema: A escola brasileira deve ser partida ou interativa?

 


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