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17 de maio de 2017

Escola da eugenia


 

   As escolas brasileiras são, às vezes, palcos de grande violência e precariedade. A falta de segurança ao seu redor e dentro de suas estruturas colocam em risco a vida de alunos e professores, além de afetar o aprendizado e a vontade de estudar dos jovens e crianças. Motivado por esses problemas, o atual prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, defende a ideia de cercar com muros partes da cidade, como as escolas em zona de risco, dando vazão ao princípio da eugenia.

 A mixofobia simboliza a criação de ilhas de similaridade e tal conceito foi criado pelo filósofo Zygmunt Bauman. Pode ser visto cotidianamente, o processo de condominização, por meio de cercamento com muros, que acelera a descaracterização cultural, o que contrasta com a ideologia das escolas, que buscam a alteridade e a troca de conhecimentos e realidades, inserindo a criança na diversidade do mundo.

 Blindar as instituições escolares transformará os ambientes de estudo em prisões com inocentes atrás das grades. A ideia apresenta uma ilusão de segurança, pois negligencia a liberdade dos indivíduos e a necessidade urgente de uma efetiva política de segurança púbica. A escola não deve restringir a mobilidade social, nem colocar em risco o capital cultural, que é responsável pelo melhor desenvolvimento escolar, devendo ter sempre a escola integrada à sociedade.

 O fundamento do tucano que constrói o seu ninho em consentida clausura tendo a fêmea aprisionada, a fim de manter a segurança de seus ovos, é análogo ao princípio da eugenia, feito por nós, humanos. Ao demarcar-se do outro, isto é,  do estranho, como se fosse uma ameaça à integridade, perde-se o aprendizado com as diferenças. Para evitar a perda de alteridade, as escolas devem oferecer um método de ensino motivador e eficiente, fazendo com que jovens não desviem do caminho do bem. Outra medida necessária é uma política de segurança pública que retire infratores e resgatem-nos do crime ao invés de atirar e pôr em risco todos a sua volta. A diferença enriquece, mas é o respeito que une a sociedade

 

   Autora: Anne Claire Chennu. Aluna do Centro de escrita Regina Magalhães.

 

  Tema: A escola brasileira deve ser partida ou interativa?

 


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