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5 de julho de 2017

Povo sem paz


 

  Após cinco séculos do primeiro encontro, em terras brasileiras de indígenas com os europeus, a posição marginalizada do primeiro permanece. Enquanto nos séculos XVI e XVII, a intimidação destes povos era mantida pelos latifundiários do açúcar, hoje ela possui como principal fomentador o agronegócio.

  A paisagem agroeconômica brasileira dos últimos quinhentos anos pouco mudou: ainda existem latifúndios monocultores com proprietários com grande poder político. Dentro deste sistema, dois aspectos possuem acentuada importância e são eles: a necessidade progressiva de terras e mão de obra barata, sendo estes os dois motivos principais do sofrimento histórico dos índios.

  Na busca por substituir a custosa escravidão negra, durante a crise do açúcar, nos anos de 1700, viu-se no trabalho compulsório dos índios, uma opção humanamente cruel, mas economicamente satisfatória. Como resultado, surgiram os bandeirantes, que por um longo período, caçaram nas aldeias e, atualmente, são tratados como heróis nacionais.

  De forma análoga, ocorre hoje, porém, o fator fisiocrata que é priorizado. Com pouco investimento tecnológico, cada vez mais são necessárias grandes terras para a prosperidade rural, sendo as reservas indígenas mais ambicionadas. Agravando tal situação, o sofrimento dos cidadãos autóctones, em ambos casos, foi regularizado pelo governo, no período colonial pelo Marquês de Pombal e hoje pela bancada ruralista do Congresso.

  Com o abuso aos índios, as vésperas de alcançar meio milênio de existência, a hora de dar um fim a isto está cada vez mais ultrapassada. Como forma de superação, apenas a humanização da política indica uma solução. Sendo assim, com um Congresso menos apático às minorias e um povo atento à legislação teremos, enfim, uma compensação para com esta parte tão sofrida do povo brasileiro.

   Autor: Thomaz Aquino. Aluno do Centro de Escrita Regina Magalhães.

 Tema: Conflitos indígenas no Brasil atual. Brasil atual


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