À margem da sociedade

Postagem : 18 de junho de 2020

O racismo é um conjunto de teorias ou crenças que estabelece uma hierarquia entre etnias. Desde a Antiguidade havia preconceito de alguns povos para com outros. Esse preconceito, no entanto, se assemelhava à xenofobia. Foi por volta dos séculos XVI e XVII que o racismo se estabeleceu, com o domínio dos povos europeus sobre os africanos, e este mal, infelizmente, perdura até hoje. A presença e a persistência deste entrave ficam explícitas nos eventos históricos e políticos e na disseminação desse ideal retrógrado.

Primeiramente, é fato que há diversos episódios na história global que o preconceito contra os negros ficou evidente. O “Apartheid”, por exemplo, foi um regime racista atuante na África do Sul de 1948 até 1994. Esta medida política refletiu no meio social, segregando os negros, impedindo casamentos entre negros e brancos, delimitando áreas de circulação e oferecendo serviços de educação e saúde inferiores para negros, dentre outras atitudes. Após a morte de Chris Hani, um líder negro, no movimento contra o “Apartheid”, o líder rebelde e o futuro presidente da África do Sul, Nelson Mandela, declarou: “As vidas negras são baratas e continuará sendo assim, enquanto o “Apartheid” continuar a existir”. Tal afirmação traz a discussão: por que pessoas negras foram e ainda são discriminadas, inferiorizadas e deixadas à margem da sociedade?

Em segundo plano, vale ressaltar que esse mal, o racismo, está enraizado e é difundido até os dias de hoje, sendo esta uma das respostas à pergunta anterior. A “Ku Klux Klan” é um grupo separatista estadunidense, que surgiu após a Guerra de Secessão e é contra judeus, católicos, homossexuais e, principalmente, negros. Eles pregam a superioridade dos brancos e o protestantismo, assassinando de forma fria os que não se encaixam em seu “padrão ideal”. No Brasil, segundo país com mais negros no mundo, o cenário não é muito diferente, tendo em vista a presença do racismo de grupos neonazistas, que também são racistas. Essa realidade vai ao encontro da frase do físico alemão, Albert Einstein: “É mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito enraizado”. Nesse panorama, fica clara a dificuldade em desconstruir essas ideologias errôneas, que se fortalecem constantemente e transcendem gerações.

Diante desses fatos, é inteligível a necessidade de mudança no modelo de pensamento popular. Para isso, o Ministério da Educação deve promover debates nas escolas, propagandas na televisão e em redes sócias para buscar a construção de um pensamento correto e igualitário. Ademais, o Governo deve enrijecer e criar leis que punam indivíduos que praticam racismo de forma mais severa. Espera-se assim, que ocorra o advento de uma sociedade mais justa, que dê valor às vidas independentemente da etnia.

Autor: Bruno Dias. Aluno do Centro de Escrita Regina Magalhães.

Tema: Vidas negras importam.