A praça e o povo

Postagem : 27 de junho de 2011

O Supremo Tribunal Federal impôs definitivamente a liberdade de expressão no país ao permitir a Marcha da Maconha. Apesar de polêmica, a Corte justificou tal decisão, apoiando-se na Constituição que explicita o exercício do livre pensamento. Não é uma apologia ao crime, nem descriminalização do uso da droga, mas uma defesa às manifestações das minorias.

 

Diante desse contexto, é bom lembrar que essas expressões verbais não se limitam aos entorpecentes. No último final de semana (26 de junho) a 15ª edição da Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), em São Paulo, teve como tema, a frase “Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia”. O Dia Mundial do Circo, passeata pela paz, pelos bombeiros, pelos professores, pelos índios, contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará e pela saúde pública estão à vista, para quem tem olhos e sabe ver. Inclusive, manifestantes ambientalistas do grupo Greenpeace promoveram, em três capitais brasileiras, o protesto sobre o risco de acidentes, motivados pela exploração de petróleo em águas profundas.

 

O que está acontecendo hoje? Castro Alves, poeta brasileiro no século XIX, sinalizava: “A praça é do povo, como o céu é do condor”. É bom reconhecer que o espaço público deve ser democrático e pertence à sociedade, embora alguns considerem esses voos desagradáveis, ofensivos ou incompatíveis ao pensamento dominante. Olhando para o lado, veem-se, inclusive, as insatisfações em ruas mais longínquas. No Mundo Árabe, na Grécia, em Portugal, na Irlanda, na sofisticada Inglaterra e na França, há exemplos de figuração democrática (re)conhecidos também nessas famosas vias do planeta.

 

Passear, marchar, andar e reivindicar são palavras de ordem de todos os tempos e não poderia ser diferente agora. Mas, nos comportamentos contemporâneos, com apoio das redes sociais, atinge um público ilimitado, sedento por fazer valer suas opiniões em tempo real. Contudo, dentre todos esses protestos, a Marcha da Maconha, por ter uma temática nociva à saúde, deveria vir acompanhada de projetos de conscientização dos malefícios físicos aos defensores.