Adaptação ao letramento

Postagem : 1 de outubro de 2018

A língua é dinâmica e mutável e está em constante desenvolvimento, adaptando-se aos seus falantes. Por consequência, diante da variação sociolinguística no Brasil, há discriminações, entre os falantes do mesmo idioma, em relação aos sotaques, regionalismos, dialetos e gírias, por exemplo.

O Brasil é um país com dimensões continentais e com uma imensa pluralidade cultural que naturalmente reflete nas diversas variações linguísticas que existem nas diferentes regiões. Infelizmente, por culpa da educação do idioma nacional unicamente pautado, na gramática normativa e com a influência dos meios de comunicação de massa, o país sofre com um intenso preconceito linguístico entre os seus nacionais. Por exemplo, o modo particular como as pessoas de regiões interioranas fala é, muitas vezes, alvo de piadas por habitantes das grandes cidades do país.

Além disso, o preconceito linguístico revela um ato mais grave: a inferiorização de nordestinos e pessoas de outras regiões do Brasil que não são tão desenvolvidas financeiramente, mas que abrangem uma cultura local riquíssima. É um julgamento depreciativo, desrespeitoso e, consequentemente, humilhante da fala do outro ou da própria comunicação. Como já dizia Albert Einstein, “Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”.

Fica evidente, portanto, que o Brasil é uma nação de diversidades culturais e linguísticas e que, mesmo em meio à grande pluralidade, persistem as discriminações com a variação sociolinguística. É muito importante que a escola, em uma sociedade letrada, como a brasileira, permita aos alunos um processo democrático ao letramento, a partir de práticas pedagógicas democratizadoras em que as variações linguísticas sejam reconhecidas como exercício da cultura nacional e que não sejam ridicularizadas. Dessa forma, poderão compreender que a língua é algo em constante desenvolvimento e assim, estará verdadeiramente adaptada a todos os seus falantes.

 

Autora: Mariah Moté. Aluna do Centro de Escrita Regina Magalhães.

 

Tema: A palavra tem poder?