Algema midiática

Postagem : 15 de junho de 2015

No cenário hodierno, vive-se um tempo sem memória, que tudo se registra para logo se esquecer. É notório que o homem passa a experimentar os poderes da onipresença e da onipotência através das novas experiências midiáticas. Sendo assim, há indivíduos que preferem ser uma metamorfose ambulante a ter uma velha opinião formada, pois a sociedade recebe, a cada dia, uma avalanche de informações sobre o mundo cibernético.
Na história da humanidade, o espetáculo de si mesmo era um momento maior na carreira de um artista. A fim de expressar o que verdadeiramente sentia, o autorretrato foi para os mestres da pintura uma forma de mostrar o mundo sob sua ótica. Na fase contemporânea, entretanto, a exibição de uma intimidade inventada é uma realidade factual. Em vista disso, cresce uma sociedade que valoriza a efemeridade, por meio de fotos instantâneas, que não deixam um legado de memória.
A informação fugaz sobre o momento vivido é valorizada, de modo a refletir aos ouvidos dos jovens ser estranho ao se ter dimensão histórica. Desta forma, a cultura virtual impõe uma vida acelerada que não pensa no amanhã. Na metáfora do tempo presente de instantaneidade, o descompromisso com a qualidade é a regra. Sendo assim, para uma “selfie” basta mostrar um espetáculo de si mesmo e exibir uma intimidade digna de ser admirada pelo mundo cibernético, misturando o público com o privado.
Na nova era, a questão mais importante é se soltar dessa algema midiática e se aproximar de uma realidade mais cristalizada. O tempo das “selfies” precisa ser encarado com reflexão. Beber nas águas desta nova fonte é tão importante quanto a comunicação oral, a presença e o lazer. Neste sentido, atingir esse equilíbrio social é o desafio do século XXI, a fim de que a ética e o caráter sejam expostos nas telas ao invés de apenas uma ostentação para mostrar onipotência.

Bárbara Marcias de Sousa. Vestibulanda.

Tema: O tempo dos “selfies”.