Aluno espanca professora: Onde ou aonde está o problema?

Postagem : 20 de julho de 2015

Nesse belo domingo ensolarado da manhã da Planície Goitacá, abro como é costumeiro, a internet na página oficial do Yahoo e deparo-me com uma notícia estarrecedora, mais uma, relatando que aluno “ataca” professora. Deambulando, parafraseio o poeta contemporâneo Cazuza: “Que país é esse”? Que Pátria Educadora que estamos formando?

Em primeiro lugar, gostaria de sair do problema-foco, aluno espanca professora, para me ater à forma interrogativa do ONDE ou do AONDE está o problema. A meu ver, o problema é mais sério do que pensamos.

Vejamos.Vamos ao Português. Muitas pessoas confundem o significado das palavras onde e aonde. Elas existem na língua portuguesa e estão corretas. Contudo, têm significados diferentes e, por isso, devem ser usadas em situações distintas. A palavra “onde” se refere ao lugar em que alguém ou alguma coisa está ou ao lugar em que está acontecendo alguma coisa e não indicando movimento. A palavra “aonde” se refere ao lugar para onde alguém ou alguma coisa vai, designando deslocamento.

Feito esse prelúdio, gostaria de rememorar que, nos dias atuais, somos atacados por todos os lados. A nossa cidade não é edificada para seus verdadeiros munícipes. A nossa igreja é assaltada. No Rio de Janeiro, o cardeal arcebispo, Dom Orani Tempesta, sofreu um assalto em Quintino, na zona norte da cidade. Lembrem-se: é a segunda vez, em menos de um ano, que Dom Orani é vítima de roubo.

Nessa mesma esteira de desrespeito, a jornalista Maria Júlia Coutinho, da Rede Globo de Televisão, foi atacada por diversos internautas com mensagens ofensivas pela sua cor negra. A também jornalista Glória Maria, assim como os jogadores Aranha, Daniel Alves, Tinga e o árbitro Márcio Chagas, também sofreram ataques de racismo. São tantos que já estamos perdendo o controle.

Pergunta-se: O problema está ONDE ou AONDE? Será que está na sociedade que não respeita as leis do bem viver? Ou desaprendemos a conviver em comunidade? Ou é a família que está perdendo o sentido de existir? Ou será que está na Educação, que não está mais educando e perdeu o seu sentido primitivo, o de formar cidadãos?

Sobre a educação, não estamos falando da formação escolar, só e somente, só de escolaridade e de letramento. O foco é maior. O educador Paulo Freire nos ensina que: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. O que estamos precisando é um (re) pensar dos nossos valores como seres humanos, dignos de direitos e de respeito. Uma Pátria só é Educadora com respeito ao seu povo, seja ele lá qual for. Somos cidadãos e como preconiza o Artigo 5º da Constituição Federal Cidadã Brasileira: Todos são iguais perante a lei. Não importa ONDE ou AONDE está o problema, porém não podemos fechar os olhos para Aluno espanca professora. É mais uma história triste para a conta do Brasil, a Pátria Educadora. Porém, esse é um problema de todos nós. Que sejamos seres de fato humanos e não apenas pessoas esmagadas pelo mundo contemporâneo.

Elias Rocha Gonçalves[1]

Bianca Siqueira Gonçalves[2]

[1] É Ph.D em Organização e Gestão Escolar, pesquisador Sênior da Capes e autor do Livro A Pedagogia do Encantamento: Novo paradigma da Educação para o Século XXI, traduzido e distribuído para mais de 20 países de língua espanhola.

[2] É Mestranda em Gestão e Planejamento de Cidade – UCAM –Campos e Analista Fiscal da Secretaria de Fazendo do Estado do Rio.