Analfabetismo funcional tem “cura”?

Postagem : 22 de setembro de 2014

Graças à evolução dos padrões sociais, muitas demandas e conceitos vêm sendo revistos de forma decisiva. Na educação, um dos conceitos atualizados é o da própria alfabetização, que antes se relacionava apenas à habilidade ou capacidade que uma pessoa teria de assinar o próprio nome, ler e escrever um enunciado simples, relacionado à sua vida diária. Hoje, por recomendação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), são trabalhadas as noções de analfabetismo e alfabetismo funcional, ligadas à capacidade de interpretar e expressar ideias por escrito e realizar operações matemáticas mais elaboradas.

Assim, é considerado analfabeto funcional o indivíduo que, mesmo familiarizado com letras e números, não consegue utilizar a leitura, a escrita e habilidades matemáticas para cumprir as demandas de seu contexto social e utilizá-las para continuar aprendendo e se desenvolvendo ao longo da vida. Esta realidade, infelizmente, não está muito distante, mesmo nos ambientes selecionados da educação particular e do mundo corporativo.

De acordo com pesquisa desenvolvida pelo doutor em administração de empresas Thomaz Wood Jr., diretores de grandes companhias afirmam que falta a muitos profissionais da média gerência “a capacidade de interpretar de forma sistemática situações de trabalho, relacionar devidamente causas e efeitos, encontrar soluções e comunicá-las de forma estruturada”. A precisão e a clareza, cada vez mais necessárias em uma sociedade informatizada e conectada, estão cada vez mais raras.

Conforme os dados do Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), no Brasil, entre 2001 e 2011, o domínio pleno da leitura caiu de 22% para 15% entre os que concluíram o Ensino Fundamental II, e de 49% para 35% entre os que fizeram o ensino médio. Com ensino superior, 38% não chegam ao nível pleno.

Para melhorar tais índices e universalizar a alfabetização plena, promovendo a autonomia do estudante/cidadão e viabilizando seu desenvolvimento pessoal, profissional e o acesso ao mercado globalizado de trabalho, é preciso que todos se mobilizem. Além de cobrar políticas públicas para o ensino, é fundamental que cada núcleo familiar estimule seus membros a buscar informações e debater sobre livros, notícias, atualidades.

Jovens e adultos que busquem boas colocações em vestibulares e concursos podem também aderir a uma educação continuada que valorize as habilidades e o potencial de cada aluno, que identifique como cada indivíduo pode colaborar com as experiências, que dê oportunidade e motivação para o debate e a participação. E, para todos, é imprescindível a criação do hábito de leitura e escrita.

“Quem não lê tem pouca vantagem sobre quem não sabe ler.” (Mark Twain)