Angústia feminina

Postagem : 12 de maio de 2020

O machismo é uma linha de pensamento que impõe a superioridade do homem sobre a mulher e molda os comportamentos sociais de ambos. De acordo com filósofo ateniense, Aristóteles, “A alma tem domínio sobre o corpo, a razão sobre a emoção, o masculino sobre o feminino”. Através desse modo de pensar, observa-se que essa ideologia é antiga e foi naturalizada, afetando a atual sociedade de várias formas. Uma delas é a agressão doméstica, a qual tem sido agravada durante o isolamento social, resultante da pandemia do Covid-19. Este obstáculo afeta todos, seja pela opressão social da mulher ou pelos impactos na relação familiar.

Primeiramente, é fato que o androcentrismo enraizou-se na humanidade e gera frutos até os dias de hoje. Esses amargos resultados prejudicam as mulheres, em várias áreas de suas vidas, mas nenhuma é tão afetada quanto a domiciliar. O lar, que deveria ser sinônimo de abrigo e proteção,  torna-se o próprio “inferno”. Para o suíço, Carl Gustav Jung, fundador da psicologia analítica: “Onde acaba o amor têm início o poder, a violência e o terror”. Nesse sentido, os lares sem laços de afeto e respeito manifestam caos e destruição, não necessariamente exterior, mas no âmago de seus moradores. Tal desordem tem se agravado devido à quarentena vigente, que obriga vítima e agressor a manterem-se próximos continuamente.

Em segundo plano, vale ressaltar que os efeitos das agressões se estendem aos filhos e outras pessoas que convivem nesse meio. Esses atos podem gerar traumas permanentes e afetar o futuro comportamento dos filhos. Consoante ao pensamento do ativista político estadunidense, Martin Luther King: “Uma das coisas importantes da não violência é que não busca destruir a pessoa, mas transformá-la”. Sob essa ótica, o ato retrógrado da violência deve ser impedido e punido, não revidado, pois o ciclo da violência não acaba pondo um fim no vetor que o movimenta, e sim, com a mudança do sentido desse portador.

Diante desses fatos, para retirar as raízes dessa ideologia, a mudança deve ocorrer na base da humanidade: jovens e crianças. Para isso, o Ministério da Educação deve buscar incluir na grade estudantil, de forma isolada ou interdisciplinar, debates sobre o machismo e outros problemas sociais. Ademais, campanhas que busquem despertar o desejo de denúncia da violência doméstica devem ser amplamente divulgadas, cabendo à população cumprir seu papel nessa luta contra a angústia das mulheres. Sob esse viés, espera-se que esse problema no futuro seja apenas uma triste lembrança, não mais uma realidade, criando uma transformação como a almejada por Martin Luther King

Autor: Bruno Dias. Aluno do Centro de Escrita Regina Magalhães.

Tema: O paradoxo da pandemia: confinamento social e violência doméstica.