Aquilo que me cerca

Postagem : 12 de agosto de 2020

O “Grande Fedor” foi um fenômeno que ocorreu no ano de 1858, em Londres, devido à falta de saneamento. Naquela época, a grande concentração de fezes de pessoas e cavalos nas ruas, a poluição emitida pelas fábricas e a consequente chuva ácida formavam uma lama fedorenta e tóxica. Além disso, o Rio Tâmisa, que naquele tempo era utilizado por alguns para despejar lixos, fezes e outros detritos ficaram com os níveis de água baixos devido ao calor do verão, deixando muita sujeira exposta e gerando um forte odor. Nos tempos atuais, nota-se ainda uma falta de saneamento básico no Brasil, fato que reproduz o episódio de Londres, gerando doenças e destruindo os ecossistemas.

Primeiramente, é fato que o contato, bem como a ingestão de microrganismos geram doenças. Entretanto, essa verdade não era conhecida em 1858. Quando o médico inglês, John Snow propôs que a ingestão das águas do Tâmisa era a causa das várias mortes e doenças que estavam ocorrendo e ele foi chamado de louco. Apenas no final do século XIX, sua hipótese foi confirmada, por meio da “Teoria Microbiana das Doenças”, que daria início à microbiologia e geraria leis ambientais. Embora na contemporaneidade esse saber seja algo bem conhecido e difundido, existem diversas pessoas que, por falta de opção, ingerem águas contaminadas, gerando doenças e mortes.

Em segundo plano, vale ressaltar que a poluição do meio ambiente provoca graves danos para todo o ecossistema e para os que habitam nele. Para o filósofo espanhol, José Ortega y Gasset: “Eu sou aquilo que me cerca. Se não preservo o que me cerca, eu não me preservo”. Tal pensar vai ao encontro da realidade atual. O ser humano, em geral, não tem cuidado da natureza e têm sofrido, em especial nas camadas mais baixas da sociedade, as consequências. Vários animais e plantas têm seu habitat destruído. Alguns animais migram para zonas povoadas e levam consigo doenças, outros são fundamentais para a produção de alimentos e por não terem onde morar e serem caçados em grande escala correm risco de extinção, podendo desestabilizar ainda mais o ecossistema e a economia.

Diante desses fatos, fica evidente a necessidade de assistir às pessoas em condições precárias e preservar o meio ambiente. Para isso, os Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente devem elaborar medidas que gerem infraestrutura em todo o país, além de conscientizar a população sobre o dever de evitar a poluição e assim, conservar a natureza e a saúde. Comunicados em horário nobre e palestras públicas podem ajudar na divulgação dessas mensagens e uma parcela da verba do governo precisa ser investida para levar o saneamento a todos os locais. Espera-se assim, uma preservação ambiental e pessoal, como dita por Ortega y Gasset.

Autor: Bruno Dias. Aluno do Centro de Escrita Regina Magalhães.

Tema: Raio X do saneamento no Brasil.