As algemas dos celulares

Postagem : 15 de junho de 2015

A intimidade faz parte das redes sociais no mundo contemporâneo. Há evidências também de que pintores do século XVI expressavam seus sentimentos de forma significativa e não sendo algo momentâneo como ocorre na hipermodernidade.
Observa-se que, com os avanços pictográficos das câmeras de celulares, os “selfies” se diluem, em geral, sem sentimento importante no “show do eu”. Na interpretação de Zygmunt Bauman, o mundo atual se tornou líquido, sem compromisso com a posteridade. Como se nota, jovens do século XXI utilizam a todo instante o aplicativo “Snapchat”, no qual envia-se uma foto que dura segundos e se auto-deleta. Também se vê que, ao utilizarem este meio tecnológicos, mostram para os internautas sentimentos momentâneos, ou talvez imaginários. Em verdade, o Brasil também entrou nesta era do desnudamento: nas redes sociais, tudo se sabe, tudo se deleta e pouco se interpreta.
Cumpre lembrar que o autorretrato foi para os mestres da pintura, que viveram antes do advento da fotografia, um meio em que demonstravam através de telas, ou de livros, tanto a alegria quanto a tristeza. É válido citar as obras-primas que nasceram do pincel de um Rembrandt ou de um Van Gogh, que legaram ao futuro seus rostos, em várias idades, impregnados de suas angústias. Sendo assim, vê-se o pensamento dos pintores serem marcantes até hoje e suas telas não terem tempo determinado de durabilidade como no mundo virtual do século XXI.
Diante disso, vê-se que os “selfies” são evidentes, principalmente, no mundo juvenil e que aprisionam uma mentalidade de informação fugaz, sobre o momento vivido, pois a intenção não é ficar para a mensagem das fotografias para a eternidade. Assim é, como também nos relacionamentos interpessoais: para tudo há um tempo temporário de duração. Em contrapartida, é preciso que os jovens deixem de atuar em suas histórias, passivamente, para assumirem o papel principal e mais ativo na sociedade e com um compromisso maior para o futuro. Além disso, mas não menos importante, precisa-se de jovens que façam projetos ditados por valores, para assim se superar, inclusive, esta esclerose das corrupções vivenciadas no Brasil.

Lys Tavares. Vestibulanda.

Tema: O tempo dos “selfies”.