Boa morte

Postagem : 20 de outubro de 2016

A lei brasileira prevê punição para o médico que abreviar a vida de um paciente por compaixão. Em alguns países, o direito de escolha do enfermo é assegurado como legal, porém essa prática no Brasil vai contra a própria Constituição Federal.

A palavra eutanásia vem do grego eu mais thanatos que significa morte sem dor, ou boa morte. O gatilho para que tal tema fosse debatido com mais frequência foi a escolha da medalhista paralímpica, Marieke Vervoot, para abreviar sua vida assim que retornasse ao seu país  de origem, a Bélgica. Lá, a prática é autorizada, sendo inclusive disponibilizado um kit nas farmácias para fazer a eutanásia, permitindo o fácil acesso da população a tal recurso. Outro aspecto que contribuiu para a discussão desse assunto foi a exibição da minissérie “Justiça” pela Rede Globo. Na novela, a personagem Beatriz era uma bailarina, que ficou tetraplégica e com ajuda do marido pôs fim ao seu sofrimento. Como o brasileiro é um telespectador nato, a série televisionada serviu para fomentar o debate quanto à criminalização da eutanásia.

Segundo o Artigo 5º da Constituição Brasileira, todo cidadão tem direito à dignidade. Sob essa ótica, proibir o enfermo de exercer seu direito de escolha quanto à vida pode ser considerado um ato inconstitucional. Os pacientes que estão passando por uma grave doença degenerativa, que causa grande sofrimento físico e psicológico não só para ele, como para toda sua família, vê-se, a interrupção da vida como uma solução digna e sem sofrimento.

A doença de um ente querido é um período muito desgastante para todos os envolvidos. O filósofo Sócrates defendia a idéia de que “O sofrimento resultante de uma força dolorosa justificava o suicídio”. O importante é seguir o desejo do paciente, visando sempre garantir sua dignidade e integridade. Cabe também ao médico ter serenidade para tratar do paciente terminal. Por esse viés, a eutanásia não deveria ser considerada crime, mas como libertação de um sofrimento.

 

Autora: Maria Gabriele Arêas. Aluna do Centro de Escrita Regina Magalhães.

 

Tema: Eutanásia: crime ou solução?