Carpe diem

Postagem : 20 de junho de 2011

No decorrer de minha carreira profissional, sempre apreciei a leitura dos jovens de ontem. Em minhas reflexões, sempre retorno à dualidade do Barroco, sobretudo, nas artes plásticas, que me emocionam, principalmente, as esculturas flamejantes. As antíteses e as hipérboles sempre me conduzem à perplexidade.

Carpe Diem é também um dos meus temas favoritos da literatura. Como e por que aqueles autores percorreram o caminho da alegria de viver? Penso ainda, no Parnasianismo, com textos complexos e, excessivamente, rimados. Em que se inspiravam? Gosto dos poetas do século XIX do Romantismo. Admiro até hoje, as poesias de Álvares de Azevedo e de Gonçalves Dias. E a musicalidade dos Simbolistas? Quanto lamento e dor?

Hoje, aliás, muito de repente, vejo outros jovens. Portando celulares, em conexão constante no ciberespaço, com I Pad, I Pod, MP4, para companhia e divertimento. Observo as novas telas vivas dos corpos: piercings e tatuagens, estrategicamente, aplicados na pele, com simbologias explicadas na ponta da língua quando indagados. Vejo a grafitagem, nos espaços públicos, como manifestação de suas subjetividades. São as atuais expressões contemporâneas do eu. Sem falar na irreverência que, às vezes, surpreende-me pela ousadia sutil.

Algo me chamou a atenção nos últimos dias: jovens de uma escola rasparam a cabeça, em solidariedade a um colega, com câncer. Parei e pensei. Ali está explícito o mesmo sentimento dos tempos de sempre da vida real: o amor. A solidariedade dos colegas à dor alheia fez exaltar minha crença de que os comportamentos sempre se entrelaçarão entre passado e presente não importa como.

Respirei fundo e disse para mim mesma: “Continue acreditando em seus propósitos. Esses adolescentes, quase adultos, são diferentes mesmo. Manifestam suas hipérboles, as antíteses, o lamento e a musicalidade em suas vidas. São diferentes, exóticos, por vezes, ambivalentes. Contudo, amam e solidarizam-se com o próximo tão intensamente, como os meus escritores preferidos da literatura”. Então, Carpe diem.