Cenário mais hipocrático

Postagem : 20 de outubro de 2020

O médico ateniense Hipócrates, considerado o Pai da medicina, acreditava que era mais importante conhecer o ser humano do que as doenças. Nos dias atuais, um pouco dos pilares hipocráticos foram esquecidos e precisam ser lembrados. Logo, faz-se necessária a discussão acerca da maior facilidade de fazer diagnósticos e a maior tranquilidade das pessoas, em meio a doenças, como bons frutos de uma relação empática entre médicos e pacientes.

Em primeiro plano, vale destacar que atualmente as consultas têm sido mais objetivas e muitos médicos mal olham para os olhos do enfermo. Nesse contexto, é oportuno lembrar a tela “La visita al hospital” de Luís Jimenez Aranda, pintor espanhol, onde um médico trata de sua paciente com todo cuidado e seus alunos observam a cena atentamente. Sob essa luz, nota-se que quando o médico se enxerga na situação do paciente, bem como o doutor retratado na obra, trata-o com gentileza e desperta sua confiança. Dessa forma, o doente terá um sentimento confortável, para falar sobre tudo com o profissional e o diagnóstico pode ser concluído com maior facilidade, pois muitas vezes, o emocional está atrelado ao físico.

É indubitável que o cenário de pandemia do covid-19, vivido em 2020, traz muitas inseguranças e sentimento de desespero. Com muita propriedade, o sociólogo polonês, Zygmunt Bauman afirma em sua obra, “Modernidade Líquida” que com os tempos modernos, as relações se tornaram rasas e fluidas. Visto isso, é visível que os médicos precisam quebrar essa fluidez, através da empatia e tornar a relação com as pessoas, as quais necessitam de cuidados, mais humanizada. Assim, o profissional da saúde pode acalmar as pessoas que chegam até ele e tirar todas as dúvidas geradas, principalmente, em um quadro pandêmico, para que o protocolo prescrevido seja seguido durante o tratamento.

Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas, para que o relacionamento médico-paciente tenha mais empatia. Assim sendo, cabe ao Governo Federal ampliar pesquisas na área de comunicação, dentro das faculdades de medicina, por meio da destinação de uma parte do capital, advindo dos impostos para esse fim. Consequentemente, médicos estarão mais preparados para ouvirem e falarem com seus pacientes. Deste modo, doutores e enfermos terão um relacionamento com mais afinidade e a medicina será mais aproximada dos preceitos hipocráticos pregados antes de Cristo.

Autor: Mariana Barreto Duarte. Aluna do Centro de Escrita Regina Magalhães.

Tema: Qual é a importância da empatia no relacionamento médico-paciente?