Comportamento pela cor

Postagem : 18 de junho de 2020

Um dos grupos sociais vítima de preconceito ao redor do mundo são os negros. No Brasil, mesmo que a Constituição Federal aborde a igualdade de todos perante a lei, a majoritária morte de afrodescendentes persiste, sobretudo como consequência de ações policiais. Já nos Estados Unidos, comportamentos racistas também são recorrentes e, após o recente assassinato do cidadão negro, George Floyd, protestos antirracistas surgiram, reivindicando o valor da vida em relação à cor da pele.

Primeiramente, toma-se o contexto histórico brasileiro como campo de análise. Ao retomar a 1888, tem-se a assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no país. Contudo, esse ato não apresentava planejamentos de inclusão social dos antigos escravos, o que permitiu a marginalização desse grupo e a permanência de certa visão de uma soberania branca. Nesse sentido, é possível visualizar, até hoje, aspectos da discriminação racial. Um exemplo está nos dados levantados pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro em 2019, que revelam que 78% dos civis mortos em ações policiais no Brasil foram pessoas negras.

Ao notar os Estados Unidos, é necessário mencionar o caso mais recente de ataque contra uma vida negra, que foi o assassinato de George Floyd. Após ter sido acusado de uso de dinheiro falso, o homem foi imobilizado, brutalmente, por um policial branco. A falta de humanidade e o comportamento pela cor são expressas, nas filmagens da cena, que  serviram de estopim para uma série de manifestações antirracistas em diversos países, incluindo o Brasil. Dessa forma, as pessoas buscaram mostrar repúdio ao preconceito racial e, aos negros, sua exaustão pelo tratamento diferenciado, negativamente, que recebem por causa da cor de sua pele.

Sob essa ótica, em um mundo com crescente acesso à informação pelo avanço tecnológico, após 132 anos da oficialização da Lei Áurea e uma série de leis promulgadas em favor da vida de todos os indivíduos, não há mais espaço para o racismo em qualquer sociedade. Assim, as manifestações contra esse tipo de preconceito devem ser acolhidas pelos Estados, de maneira a fortalecerem as ordens contrárias à discriminação e adotarem medidas de inclusão social, como a igualdade no acesso à educação. Além disso, a mídia e as instituições de aprendizagem podem atuar através do incentivo ao conhecimento de obras produzidas por negros e ao contexto histórico da escravidão, assim como o seu reflexo na atualidade. Por fim, é essencial que posturas sociais antirracistas sejam contínuas e que as relações entre os indivíduos sejam, realmente, humanas e harmoniosas.

Autora: Victoria Calil. Aluna do Centro de Escrita Regina Magalhães.

Tema: Vidas negras importam.