Comunicação difusa

Postagem : 16 de setembro de 2018

A palavra é um dos componentes mais fundamentais no processo de humanização. Sabe-se que a linguagem orquestra a vida das pessoas, já que possui o poder de guiá-las, dar cor à realidade, mostrar o certo e o errado e sem esta estaríamos à deriva em um mundo preto e branco.

Diante do atual cenário da política nacional, deve-se reconhecer que a palavra tem um valor imensurável e varia de acordo com a sua interpretação. Os candidatos às eleições de 2018, utilizam a comunicação difusa, como meio de interferência nas escolhas da população, como é mostrado nas propagandas eleitorais. Vale resgatar as palavras de Marx: “A palavra é uma arma a serviço do poder”, logo é preciso criar uma consciência crítica para interpretar o que se lê ou o que se ouve e o que está nas linhas e nas entrelinhas.

Não é possível entender que, apesar de a palavra ser o território comum do locutor e do interlocutor, nas escolas, em geral, não é muito explorada, a ponto de o professor quase sempre ter uma postura vertical. A valorização da linguagem interativa tem caído ao longo das décadas, fazendo com que muros e mais muros sejam levantados, inclusive, entre alunos e professores. Esta situação acaba criando um bloqueio no processo educativo, desvalorizando a comunicação, além da incapacidade das crianças desenvolverem o senso crítico.

As palavras são difusas, carregadas de intencionalidades e de valores e, por isso, têm também relação com a ética. As escolas devem ensinar a maneira correta de interpretar e de utilizar a linguagem, para que haja uma ponte entre as pessoas, criando mais diálogos. Para que deixemos de ser ouvintes passivos e de sermos pensantes críticos, devemos nos permitir escutar e refletir mais, com o intuito de criarmos senso crítico. Assim, poderá visar à melhoria da convivência, no trabalho e em outros tipos de atividades, opondo-se ao que Johann Goethe disse: “No mundo há muitas palavras, mas poucos ecos”.

 

Autora: Polyana Grain. Aluna do Centro de Escrita Regina Magalhães.

Tema: A palavra tem poder?