Convivência nos tempos líquidos

Postagem : 11 de abril de 2019

A geração “Z” é a dos nascidos, entre 1995 e 2012, após a comercialização da internet. É um reflexo do processo de industrialização, resultante da Revolução técnico-científica, que flexibilizou também as relações interpessoais. A geração “Z” navega intuitivamente e vive hiperconectada, devido à facilidade com que produz conteúdos, exigem informações rápidas e tem muita criatividade. Porém, essa inserção tecnológica vem acompanhada, muitas vezes, de uma inabilidade com as relações humanas, já que a compreensão e o relacionamento dos adultos atuais são muito mais complexos, pois são mais lentos, diferentemente, dos da era da internet.

Dessa forma, de acordo, com o sociólogo Zygmunt Bauman, “Tudo é mais fácil na vida virtual, mas perdemos a arte das relações sociais e da amizade”. Assim, grande parte dos indivíduos da geração “Z” tentam compreender as pessoas da mesma forma e rapidez com que interpretam as relações nas redes sociais. Isso pode gerar frustração, já que as relações interpessoais são muito complexas, pois exigem empatia e paciência, preceitos que muitos indivíduos dessa geração atual conhecem o conceito, mas desconhecem na prática.

Aliado a isso, vale destacar, que na modernidade líquida, descrita por Zygmunt Bauman, o indivíduo é frágil e atribui, como uma das principais causas dessa fragilidade, a incapacidade, na maioria das vezes, de conseguir conexões afetivas mais estáveis, gerando um vazio nos nascidos em tempos líquidos. As tecnologias são importantes, mas é necessário atentar para o modo e as consequências sobre o uso dessas ferramentas virtuais.

Infere-se que a educação e o convívio social são essenciais para o exercício da empatia, que fortalece as relações humanas. É fato que os indivíduos da geração “Z” são proativos, curiosos e buscam por informações, mas muitos deles devem também buscar maior compreensão uns com os outros. O Estado, aliado ao Ministério da Educação devem promover medidas que apoiem as necessidades dos pertencentes a essa geração Z, como a difusão das tecnologias no ensino, aliado a projetos que estimulem a convivência com os adultos e os colegas de classe, para que haja mais equilíbrio social nos considerados tempos líquidos.

 

Autora: Maria Rodrigues Barbosa da Silva Santos de Sá. Aluna do Centro de Escrita Regina Magalhães.

 

Tema: Nascidos em tempos líquidos: quem são eles?