Cultura de penalização

Postagem : 13 de abril de 2014

O sistema presidiário brasileiro é um caos. A falta de gestão nas cadeias leva às superlotações das celas e o que deveria ser algo benéfico para a reestruturação dos indivíduos, tornou-se um retroalimentador da criminalidade.

Estima-se que 165 mil condenados com mandados de prisão expedidos estão nas ruas por falta de espaço. Isso resulta na violência vista, em estados, como São Paulo e Rio de Janeiro. Vale lembrar ainda que, no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, há um histórico brutal de rebeliões e chacinas. Desde janeiro de 2012, seis dezenas de presos foram mortos e sabe-se que a situação se agrava devido à cultura nacional de tortura e morte dos presidiários.

Por outro lado, em alguns países desenvolvidos, a situação é contrária. Na Suécia, alguns presídios foram desativados pela escassez de detentos. Na Noruega, o ambiente carcerário é de um quarto individual, sem grades nas janelas e com vista para um bosque. É notável que, em um lugar onde se visa à reabilitação, ao invés da punição, está presente a cultura e a educação para os detentos.

É importante esclarecer também que o ideal de conduta, nos cárceres, não deve ser em função da violência. Se 70% dos presos que saem do sistema voltam a cometer crimes, deve ser criada uma política de reeducação na tentativa de ressocializá-los. Um bom exemplo é a oferta de educação profissionalizante, que poderia dar ao preso uma perspectiva social e trabalhista após ser solto, para que não mais retorne à criminalidade.

 

Júlia Nolasco Cerqueira. Vestibulanda.