Democracia eletiva

Postagem : 2 de setembro de 2012

Diante das próximas eleições, o envolvimento da sociedade ainda permanece praticamente passivo. Por esta ótica, entende-se que é o quarto poder, isto é, a imprensa, o contraponto diante do espetáculo promovido pelos candidatos. Além disso, vê-se na história, a progressão do caminho populista e a reação indevida da população.

Em primeira instância, sabe-se que as campanhas milionárias dos políticos, com eleição próxima, são vazias de conteúdo e carentes de seriedade. O grande público brasileiro, composto por 70% de analfabetos funcionais, é seduzido por promessas irrealizáveis, enquanto as idéias palpáveis têm precárias discussões. Não há duvida de que o voto é a marca do poder popular, mas deve ser usado conscientemente pela sociedade, para que sua participação seja, relevante e amadurecida.

Não é preciso lente de aumento para ver que cabe aos jornalistas o ideal de apoiar a verdade e de abrir a caixa de Pandora. Não só para que todas as mentiras e expoliações sejam patenteadas frente ao mundo, mas para que a esperança e a capacidade de gestão fiquem contidas como uma responsabilidade maior do que o inventário de promessas.

Outro exemplo essencial é o do “Collorgate”, em que a população, frente à corrupção do governo Fernando Collor de Melo, protestou a favor de sua saída da presidência, demonstrando a cobrança de coerência como exercício de cidadania além do voto.

Em suma, pode-se ver que nossa missão como cidadão é a de desnudar os candidatos para que seu real valor seja mostrado. A política imediatista não deve concentrar a gestão política nem sobreviver sem criatividade. A responsabilidade da popuação é, além de ser seletiva, mas também fiscal, para que com senso crítico se construa uma potência democrática.

Emília Magalhães Paes. Escritora e vestibulanda.