Desconstrução cultural

Postagem : 27 de maio de 2020

A colonização do Brasil introduziu no país, além dos europeus e suas culturas, doenças como gripe, sarampo e varíola que dizimaram sociedades indígenas por completo. No presente momento, a ameaça a esses povos se encontra no Covid-19. Todavia, se comparado ao período colonial, uma coisa mudou: Agora não são estrangeiros destruindo os nativos, são os próprios brasileiros. Essa infeliz e constante ação leva à possibilidade de um novo genocídio indígena, seja pela ganância humana ou pelo descaso com os índios.

Primeiramente, é fato que desde a Revolução Industrial, o homem usufrui do meio ambiente de forma predatória. A extração de matéria-prima, que ocorre de forma irracional, leva à invasão das terras indígenas, além de degradar a natureza. De acordo com o físico britânico, Stephen Hawking: “A poluição, a ganância e a estupidez são as maiores ameaças ao planeta”. Sob essa ótica, nota-se a incrível capacidade que a exploração da natureza possui ao contemplar essas três ameaças de uma só vez. Entretanto, devido ao coronavírus vigente, ela traz um crime consigo: a devastação das civilizações conterrâneas.

Em segundo plano, vale ressaltar que há uma antiga negligência para com os nativos e sua cultura. O poema “Erro de Português”, do escritor brasileiro Oswald de Andrade, explicita isso. Nessa obra, o autor critica, de forma irônica, a tentativa de desconstrução da cultural indígena pelos portugueses. Nesse sentido, observa-se que esse menosprezo perdura até os dias de hoje e resulta na falta de apoio a essas comunidades. Tal abandono, no atual cenário de pandemia, proporciona maiores riscos de vida e cria a possibilidade de extinção da cultura desses povos, uma perda análoga ao incêndio do Museu Nacional.

Diante desses fatos, fica evidente a necessidade de impedir o agravamento dessa situação. Para isso, a Fundação Nacional do Índio, juntamente ao Ministério da Saúde devem auxiliar esses povos na sua preservação. Isso pode ocorrer, por exemplo, com a implantação de postos médicos próximos às aldeias. Ademais, a fiscalização das reservas indígenas deve ser realizada de forma assídua. Tais medidas não podem ser passageiras e atuantes, somente, durante o período da pandemia, mas constantes. Espera-se assim, uma maior valorização das civilizações nativas e que o “Erro de Português” seja substituído pelo “Acerto de Brasileiro”.

Autor: Bruno Dias. Aluno do Centro de Escrita Regina Magalhães.

Tema: Coronavírus alarma povos indígenas.