Envelhecimento consciente

Postagem : 31 de dezembro de 2015

O advento da tecnologia e da medicina, após a Revolução Industrial, fez com que o padrão etário da sociedade aumentasse. Diante disso, a população de cada país mudou a filosofia sobre a Terceira Idade, porém ainda é notável o descaso para com esse segmento populacional.

Há indícios de que, desde a Antiguidade, o envelhecimento era visto com horror, repúdio e os idosos considerados como obsoletos, improdutivos e descartáveis. No entanto, tal lógica foi crescente, a partir dos séculos XVIII e XIX, quando o aumento da longevidade e a diminuição da mortalidade infantil ocasionaram a transição demográfica, levando ao envelhecimento populacional. A partir dessa época, a conseqüência é que os anciãos, em geral, foram marginalizados do segmento produtivo da sociedade e deixados à mercê da própria sorte, sem aparo ou alguma política que zelasse por eles.

Encontra-se, no Estatuto do Idoso do Brasil: É dever de todos zelar pela dignidade do idoso. No entanto, a população brasileira está muito longe de praticar o que rege essa lei, haja vista os inúmeros casos de desrespeito da mesma: seja no mais simples ato, como não dar preferência aos mais velhos, até nos atitudes de violência contra os mesmos. Sob esta ótica, o Estado, quase sempre é omisso e, por vezes, condescendente ao não promover projetos sociais e, inclusive, retirar subsídios dos anciãos, deixando de contemplá-los, conforme a lei. Dessa forma, constata-se que a legislação é desrespeitada, o que vai de encontro, até mesmo, à definição de democracia e de República.

Confúcio, filósofo oriental, acreditava que a autoridade da velhice era justificada pela aquisição da sabedoria. Nesse sentido, os deveres dos filhos para com os pais, ou de qualquer pessoa para com os idosos, compreende também procurar torná-los seres humanos mais felizes, assegurar-lhes maior proteção e segurança na Terceira Idade. Além disso, é preciso estimular-lhes a vontade de viver intensamente e, com melhor qualidade de vida possível, evitando, assim, a melancolia que, por vezes, o envelhecimento traz.

Diante do exposto, vê-se que é necessário refletir, acerca do avanço etário, tendo em mente que a Constituição de 1988 inaugurou a cultura dos direitos humanos, erigindo uma sociedade que respeita, sobretudo, a vida do idoso. Zelar por isto não é fácil, pois necessita de capacidade para ouvi-los e de ter a consciência da verdadeira concepção de velhice. Por último, o Estado e a sociedade devem ter em vista a criação de projetos futuros, que sejam voltados para a coletividade, transformando a velhice em uma continuidade natural da vida.

 

Arthur Filipi Duarte. Vestib

 

Tema: A escrita é um código de comunicação determinado pela sociedade e deve obedecer às regras para ser compreendida por pessoas em lugares e épocas diferentes.