Era do Vazio

Postagem : 17 de maio de 2014

No mundo hipercapitalista, o consumo é o protagonista. Insuflado pela imagem e pela mídia tem se tornado um determinante de “status”. Por isso, a ilusão da felicidade propiciada pela compra gera um ciclo vicioso na sociedade.

No livro, “Vida para consumo”, do sociólogo polonês Zygmund Bauman, é argumentado que os indivíduos contemporâneos tentam produzir um sentimento de ordem de estabilidade por meio da compra. Diante da falta de solidez, em que tudo é baseado na imagem, sob influências da mídia, o consumismo é o reflexo de uma sociedade desequilibrada e passiva à manipulação social.

Os valores preestabelecidos pelo estilo de vida consumista embriagam a consciência dos atores sociais. Os efeitos disso são modelos de família que priorizam a obtenção material. É interessante mencionar que a própria elaboração de certos produtos instigam uma raça de devedores. Por meio da obsolescência programada, as marcas estabelecem um prazo de funcionamento de suas peças, o que obriga o consumidor a descartar sua compra em menos tempo e adquirir um novo produto. Diante disso, sua satisfação nunca será completa.

O conformismo político e social diante do consumismo desenfreado prejudica os valores e o senso crítico da sociedade. Convém citar as palavras do filósofo grego Epíteto: “Só a educação liberta”. Logo, é indispensável uma consciência financeira da população. Também é importante a reeducação dos consumidores para resistirem a oferta de crédito fácil e valorizarem o ser. É preciso encher a Era do Vazio do mundo pós-capitalista, de modo que a estabilidade e a ordem sejam priorizadas, ao invés do lucro e da materialização.

 

Isabelle Reis. Vestibulanda.