Escravas do machismo

Postagem : 15 de abril de 2019

Em pleno século XXI, no Brasil, o feminicídio ainda é uma constante e inaceitável epidemia. Isso porque, além de uma herança patriarcal árdua, a cultura do machismo ainda predomina fortemente no país. Dessa maneira, vê-se que o crime é resultado da incapacidade de os homens aceitarem a autonomia da mulher em pleno século XXI.

No período colonial e, até no século XIX, vigorava no Brasil um conjunto de leis que não punia e previa a execução de uma mulher adúltera, o que denota uma herança de discriminação histórica. Era lícito ao homem casado matar a esposa em flagrante delito pelo argumento da defesa da honra. Assim, a Justiça brasileira absolvia maridos assassinos e, inquestionavelmente, enaltecia a vulnerabilidade das mulheres.

Cabe reconhecer que, somente a partir de 2015, o país alterou o Código Penal Brasileiro e incluiu a Lei que tipifica o feminicídio como homicídio, reconhecendo o assassinato de uma mulher em função do gênero. Sob o mesmo ponto de vista, torna-se evidente que a autonomia que as brasileiras vêm ganhando é recente e, portanto, ainda há muito o que ser conquistado.

Vale ressaltar ainda que, no Brasil, pesquisas e números apontam que a mulher está vulnerável tanto no âmbito doméstico quanto no público. 107 casos de feminicídio foram registrados, desde o início do ano de 2019, uma média de cinco ocorrências por dia. As estatísticas continuam deixando o Brasil entre os países mais violentos para as mulheres, no mundo, fato que se deve à cultura machista ainda enraizada na sociedade brasileira.

Mediante os fatos mencionados, torna-se evidente que a herança patriarcal brasileira serviu como ponte crucial para que o feminicídio, infelizmente, ainda seja uma epidemia no cenário atual. Segundo o Artigo 5º da Constituição Brasileira: Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. Portanto, é indispensável, que esse direito seja revigorado. Espera-se que tal assunto seja discutido no ambiente familiar e nas escolas, para que assim, a mulher seja verdadeiramente respeitada, sua autonomia aceita e não mais questionada. Por fim, que todos lutem pelo fim do feminicídio, crime hediondo e inaceitável, sepultando o ideal de que as mulheres brasileiras devam ser escravas do machismo.

 

Autora: Mariah Moté

 

Tema: Feminicídio: uma inaceitável epidemia brasileira.