Filhos do coração

Postagem : 23 de maio de 2016

Adotar é mudar um destino. Hoje em dia, há milhares de crianças e adolescentes à espera de um lar onde possam começar a sua história. Infelizmente, há uma longa jornada para aqueles que desejam realizar essa bela ação.

A adoção no Brasil é um processo lento e muito burocrático e existem muitos casais que dificultam o procedimento. Há várias pessoas que possuem uma lista de pré-requisitos que a criança deve ter para ser adotada. No Brasil, há uma busca maior por crianças brancas, do sexo feminino e sem nenhuma deficiência. É como se eles buscassem um produto para comprar. Tal atitude é, claramente, uma espécie de preconceito e quem sofre são os jovens.

Enquanto alguns querem um filho, feito sob medida, muitos desejam adotar por amor e sofrem por não conseguir. Esse é um desafio enfrentado, principalmente, por casais homoafetivos e pessoas solteiras. O reconhecimento da adoção por homossexuais ainda é uma questão delicada no país. Isso deve ser mudado, pois o conceito de família vai muito além de um homem, uma mulher e filhos.

Uma outra questão a ser lembrada: como funcionam os orfanatos? Muitos deles não possuem o nível de preparo necessário para fornecer às crianças uma boa qualidade de vida. Muitas acabam seguindo caminhos ruins, pois não lhes foi fornecida uma educação de qualidade e, muitas vezes, faltou-lhes amor.

Torna-se fundamental que os parâmetros da sociedade, em relação a essas crianças, os filhos do coração, sejam repensados. É preciso também combater essa onda de preconceito contra a adoção infantil por homossexuais. Uma boa forma é encorajar movimentos contra a discriminação das crianças e dos adotantes homoafetivos, em prol do aumento dos índices de adoção. Ademais, é necessário investir nos abrigos, dando às crianças, que não são adotadas, uma oportunidade de ter uma vida feliz.

 

Camila Gama. Vestibulanda (2016). Aluna do Centro de Escrita Regina Magalhães.

Tema: As faces da violência e da criminalidade no Brasil.