Filtragens no ciberespaço.

Postagem : 8 de junho de 2020

A “Teoria do Esclarecimento” do filósofo prussiano, Immanuel Kant, afirma que o homem está em um estado de menoridade, no qual o indivíduo não possui coragem de buscar o saber e de ser independente dos alheios. Para sair desse estado, o ser humano deve “ousar saber”, atingindo assim, sua maioridade. Indo de encontro ao pensamento do filósofo, tem-se no país uma sociedade alienada e que perpetua em sua menoridade, seja pela divulgação de pós-verdade ou pela falta de apuração da veracidade dos fatos pela população. Tal estado medíocre reflete-se, inclusive, na vida política da sociedade brasileira.

Primeiramente, vale ressaltar que as “fake news” não é uma novidade, elas já existiam, porém com outros nomes, como “hoax”, por exemplo. O termo começou a ser mais divulgado em 2016, durante as eleições para presidente dos Estados Unidos, devidos aos boatos falsos sobre a candidata Hillary Clinton. Consoante ao pensamento do ex-presidente estadunidense, Abraham Lincoln: “Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas por algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo”. Tal pensamento salienta que as “fake news” possuem um curto período de credibilidade, todavia esse período é mais que suficiente para causar grandes estragos.

Em segundo plano, é fato que há uma falta de cautela, em grande parte dos usuários do ciberespaço, que além de confiar cegamente nas notícias falsas, divulgam-nas. Em paralelo, além do “web-espaço”, templos religiosos, instituições de ensino e outros locais são palcos dessas enganosas “peças”, comumente nocivas para alguma figura popular ou instituição. De acordo com o filósofo alemão, Friedrich Nietzsche: “Não há fatos, apenas interpretações”. Nesse sentido, há uma necessidade de desenvolver o senso crítico e buscar as raízes de determinados boatos, para assim, averiguar se houve uma interpretação correta, antes de compartilhá-la.

Diante desses fatos, fica clara a necessidade de intervenção na transmissão dessas fraudes, que são por vezes, são tão perigosas e contagiosas quanto às doenças. Com o esse intuito, o Ministério da Educação deve buscar alertar os alunos sobre a gravidade das pós-verdades e instruí-los a reconhecê-las. Isso pode ser feito por meio de atividades, em sala de aula, para que trabalhem diretamente sobre esse assunto. Ademais, esse projeto pode ser estendido para campanhas televisivas ou nas redes sociais, atingindo uma maior parcela da população, colaborando para uma filtragem de informações. Espera-se assim, uma sociedade mais crítica e consciente, capacitada para atingir o estado de maioridade proposto pela filosofia kantiana.

Autor: Bruno Dias. Aluno do Centro de Escrita Regina Magalhães.

Tema: Cascatas de Fake news disparam na esfera política.