Fogo e água

Postagem : 3 de junho de 2011

Vi ontem o casamento da Kate Middleton com o príncipe William. Ele com uniforme da Marinha sorrindo e acenando para os súditos. Dizendo o SIM da eternidade ao companheirismo. Ela mais murmurava e serenamente. O sorriso e o enigmático olhar me reportaram à Mona Lisa de Leonardo da Vinci, o quadro mais famoso e valioso do mundo. Mas ela não era tela. Era um casal iniciando uma vida a dois. “Que seja eterno enquanto dure”, já dizia Vinícius de Moraes.

Pensei aqui comigo, no casamento tradicional e o amor líquido da pós-modernidade a que faz referência o pensador polonês Zygmunt Bauman. Em sua visão, tudo que era sólido se fez líquido. Os relacionamentos se dissolvem na velocidade das máquinas contemporâneas. O compromisso implacavelmente escorre, entre os dedos, como água, sem que se possa retê-lo. Ali mesmo, na tecla do celular ou das redes sociais, do SMS. Um clique e pronto. Tudo se desmancha.

Mas, o “Amor é fogo que arde sem se ver”, assinalava Camões no século XVI. Os ingleses queriam aplaudir aquela chama de amor acesa ao vivo e em cores. A multidão documentou, ali na passarela das ruas cinzentas de Londres, o casamento tradicional sólido e aplaudiu a união estável.

Cultura dos contos de fadas na realeza britânica? Nos tempos modernos, a praticidade virou tônica. Em verdade, vê-se que o individualismo derrubando amizades e certezas. Contraditoriamente, uma multidão espontânea acompanhou, ao vivo ou pela mídia, o príncipe dar a mão àquela moça de olhar sensual e com sorriso contido. Foi uma união testemunhada com interação e cumplicidade de quem acredita no amor. Assim seja.