Londres, como assim?

Postagem : 21 de agosto de 2011

O motim das últimas semanas ocorrido em Londres é de perplexidade. País, reconhecidamente, como berço da Revolução Industrial, no século XVIII, quando motivou profundo impacto no processo produtivo em nível econômico e social. Os cidadãos ingleses têm histórico de produtores de mercadorias, apoiados pelo liberalismo econômico, a acumulação de capital da burguesia e pela passagem do capitalismo comercial para o industrial com uma série de invenções tecnológicas.
A Inglaterra foi marcada pela hegemonia mundial britânica, período de acelerado progresso econômico. É identificada pela gestão de décadas da Rainha Vitória, por casamentos suntuosos, castelos seculares, musicais e óperas, museus e igrejas que despertam interesse por todos os passantes.
Neste mundo de consumo globalizado, os objetos de desejo envelhecem em um piscar de olhos e o desejo de adquirir a mais nova e a mais moderna mercadoria está explícita em nossas idas e vindas às lojas. Pensa-se que se chega mais perto do poder, das celebridades e da elite e os que se expõem pela riqueza e pela magia do ter e não do ser.
Como entender os londrinos? Aparência versus essência? Como assim? Meninas e meninos ingleses, em pleno século XXI, não alimentaram, aparentemente, um cenário de uma ideologia ou de uma libertação político-social. Queimaram lojas e saquearam o comércio de eletrônicos, com uma desordem seduzida pelo Twitter, onde marcaram encontros para reivindicar, ainda não se sabe exatamente o quê.
Pareceu mais uma explosão de jovens frustrados com ânsia de consumir roupas contemporâneas e o eletrônico mais recente que apareceu na mídia. Ou quem sabe, por não conseguirem trabalhar devido aos reflexos da crise européia, que parece se acomodar, onde existe o bem estar social estendido à população educada e gentil, na zona da libra.
Nos países periféricos, o descontentamento também está à frente de quem quiser ver, a qualquer hora do dia ou da noite. Um ônibus é seqüestrado na Avenida Brasil, a mais movimentada rua da cidade do Rio de Janeiro. Uma juíza foi assassinada à luz do dia em Niterói. A corrupção é explícita pela certeza da impunidade.

Mas aqui, o Brasil segue faceiro, com a economia em ascensão, com as diferentes classes sociais indo às lojas, endividando-se com a cumplicidade das propagandas. Em um shopping carioca, os consumidores são recepcionados, com uma faixa, em que se lê: “Entregue-se”. Bem vizinho, há um outro, em que a escultura é a Estátua da Liberdade, com várias lojas, com o nome em língua inglesa. Deve talvez oferecer mais poder de compra e venda. Mas, o Brasil cresce economicamente. Tudo bem. Ou não.

Mas em Londres? Como assim? Estará contaminada pela maior das epidemias, que fazem fricção, entre os passageiros e vítimas dessas últimas décadas, altamente influenciados pelos apelos midiáticos, para se aliarem à sociedade do consumo pós-moderno?