Mãe adotiva

Postagem : 27 de novembro de 2015

O êxodo bíblico que se desenvolve na Europa desperta o furor da opinião pública internacional. De fato, é surpreendente o esforço hercúleo dos refugiados que são obrigados a se sujeitarem à busca de condições mínimas de sobrevivência.

O agravamento de tensões políticas, no Oriente Médio, decorrente da Primavera Árabe, associado ao revigoramento da economia européia que acentuaram o fluxo migratório em direção ao Velho Continente. Em contrapartida, os países receptores, principalmente, da península Balcânica e da costa do mar Negro estão obstinados a frear tal evento.

Diante deste cenário de horror, a Alemanha destaca-se promovendo uma ampla política de acolhimento. Em contraponto ao olhar xenófobo de alguns economistas, que alegam falta de emprego aos imigrantes, a política alemã busca reverter o ônus demográfico, isto é, a falta de mão de obra em atividades locais.

O Brasil também está aberto aos imigrantes, entre eles, os haitianos e angolanos. A evidente crise humanitária suscita a compaixão do povo brasileiro que é naturalmente acolhedor. As providências de transporte e de documentação deveriam servir de exemplo aos países europeus. É inegável que não se pode atender a todos na proporção em que chegam, porém o país faz o que pode.

A contagem do horror na Europa, visivelmente, não para de crescer e tal odisseia é uma dissonância com o continente que gerou diversos filósofos que apregoavam a moral e a ética. O mesmo Mar Mediterrâneo, que inspirou Aristóteles, também engole os refugiados. É preciso ter em mente as palavras de Confúcio, filósofo chinês: “Não se podem alterar os ventos, mas se podem ajustar as velas”. De modo que os imigrantes poderão ser construtores de um país que não é deles, mas que os acolhem como se fosse uma mãe adotiva. A discriminação e a falta de humanidade demonstram a ausência de respeito à vida do próximo, um instinto que vai contra a ética e ao espírito humanitário.

 

Gabriel Albernaz. Vestibulando. (2015) Aluno do Centro de Escrita Regina Magalhães.

Tema: Xenofobia, racismo e ódio: um desastre humanitário.