Novo lar da natureza

Postagem : 17 de abril de 2020

Quando se tratam de doenças, o ser humano é rápido em apontar culpados, que inconscientes de suas ações estão apenas desempenhando seu papel na natureza. Em verdade, procuram meios de sobrevivência e um lugar para chamar de casa, ou melhor, o seu habitat. O questionamento que deve ser feito é: quem está por trás do desaparecimento do lar desses animais? Diante das dificuldades enfrentadas por esses seres vivos, quem realmente é o culpado das pandemias contemporâneas?

A obra “A revolução dos bichos” do autor, George Orwell pode, facilmente, criar um paralelo entre a realidade fictícia e a vivida, atualmente, onde os animais se impõem diante da sociedade para conquistar seu próprio espaço e assim, impedindo a invasão do “inimigo de duas pernas”. É correto afirmar que a espécie humana tem a ideia errônea de que tudo a pertence e a ela tudo é permitido. Esse tipo de conclusão faz com que ajam com desrespeito em relação à natureza, roubando, brutalmente, o habitat natural de diversos animais das mais variadas espécies com consequências humanas desastrosas. A procura de um novo lar, estes animais, que agora vagueiam em direção a lugar nenhum, encontram abrigo cada vez mais perto da civilização.

Vidas de todas as espécies do mundo animal são destruídas por conta dos diversos crimes contra a natureza. Devido à endemia da Febre Amarela, conhecida como “Doença do macaco”, diversos macacos foram mortos com a justificativa de que os mesmos eram os grandes vilões. Quando, na verdade, sabe-se que tal doença viral é transmitida nas cidades pelo mosquito Aedes aegypti. No entanto, muitos macacos tiveram as vidas exterminadas, mas foram apenas vítimas de um animal procurando um novo habitat, que foi destruído pelo desmatamento. Ainda nos dias atuais, diversos macacos têm sido cruelmente sacrificados por falta de informação e ignorância daqueles que o fazem. A culpa não pertence de fato ao animal infectado, mas sim, ao ocorrido que fez a doença chegar até ele e contaminar os humanos.

É de extrema relevância que os ambientes naturais sejam preservados, a fim de proteger os animais e também a saúde da civilização. “A natureza não faz nada em vão”, disse o filósofo grego Aristóteles. A vida é um ciclo que se renova a cada dia. Cabe à sociedade saber usar a consciência para um bem maior. Pandemias não se iniciam por acaso, tampouco outras patologias que atingem às sociedades. O gênero humano precisa abrir os olhos para as consequências de seus atos e usar o dom da racionalidade para proteger a existência de qualquer indício de vida.

Autora: Maria Eduarda Gomes. Aluna do Centro de Escrita Regina Magalhães.

Tema: Contra a pandemia, a ecologia.