O possível espectro

Postagem : 31 de maio de 2014

No mundo contemporâneo, é possível observar uma mudança explícita no comportamento dos brasileiros. Exposta, como uma sociedade não mais gentil, o Brasil, convive com a chegada de seu maior evento esportivo e é preocupante a possibilidade da discussão dos problemas sociais diante das visitas.

O encontro esportivo internacional, em terras brasileiras, será com muito mais responsabilidade e visibilidade do que o realizada, pela primeira vez, em 1950. É importante avaliar que, enquanto se gastam milhões em obras de necessidade momentânea e não priorizam a saúde e a educação, há uma população clamando por comida, conforto e acessibilidade. Tal sociedade requer medidas duradouras e de um ganho, não só tangível, mas também intangível. Convém lembrar que os turistas logo irão embora, mas a demanda de dificuldades perpetuará.

Diante deste cenário, com um legado urbanístico,  não muito significativo, o brasileiro está magoado, com raiva, quebrando e depredando como se estivesse na Idade das Pedras, além das de “crack”. Como forma de exteriorizar a indignação das promessas não cumpridas, a internet se torna aliada de um grupo de pessoas que se coloca no papel do Estado e da lei. Conhecido pelo carnaval e pelo futebol, além do calor humano e da simpatia exacerbada, o povo brasileiro passou a se caracterizar como não mais gentis.

As expectativas nacionais para a Copa do Mundo são intensas e frágeis. É interessante ver as oportunidades, em cada adversidade, para transformar um possível espectro, em um legado, aproveitado para a nação brasileira. As ruas, a democracia, a imprensa continuarão no pós-Copa, a disposição da sociedade para a discussão dos problemas com a profundidade que merecem, entretanto, só quando as visitas forem embora. Tal ambiente vivido, no momento, deve ser de alegria, com a bandeira brasileira erguida à espera do “hexa” e, acima de tudo, com a paz social tão almejada pelo povo.

Bárbara Marcias de Sousa. Vestibulanda.