O vôo rasante de Nelson Jobim

Postagem : 6 de agosto de 2011

Nelson Jobim

Desculpe-me, ex- ministro da Defesa, Nelson Jobim. Por que tanta impaciência com as mulheres? Sim; demonstrou preconceito de gênero em suas últimas ações no Planalto. Por que na hora de apagar a luz? Para quê fazer desfeita, no alto de sua idade e estatura? Que exemplo deixou para os brasileiros e brasileiras, na reta final, de sua estada no poder?

 

Foi um constrangimento para quem está a par de seus feitos no governo, com sua determinação, ousadia e coragem para vencer os embates nas gestões anteriores. O que o senhor tem contra as mulheres nas lideranças? É preconceito contra a administração, antes entregue apenas aos homens? Ou vontade de assumir sozinho o comando de uma pasta sem dar satisfação a quem de direito? O senhor não sabia que na logística contemporânea, o trabalho faz-se, em equipe, com flexibilidade e divisão de tarefas?

 

A seriedade com que levantou a bandeira de suas funções de Estado não condiz com os seus últimos feitos na liderança governamental. Usar o sarcasmo para atingir suas colegas de administração pública, em nível nacional, não ficou de bom tom. Se quisesse fechar a porta, poderia pedir licença e sair.

 

São paradoxos que assustam e fazem o senhor confirmar a fluidez da existência contemporânea, no parecer do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Em seu livro, Vida Líquida, suscita, na condição humana, a predominância do desapego, personagens com capacidade de se livrar do que é passado e de se tornar dispensável. Para quem viu e ficou, visualizou seu caminho com vôos altos, mas com um final rasante, que deixou a pista de pouso vazia, sem heróis e dedicação patriótica.