Presente temporário

Postagem : 15 de junho de 2015

Em um mundo hipercapitalista, a rapidez e a instantaneidade dos momentos demonstram também as facetas negativas do atual modelo econômico e social. Em vista disso, a frieza e a falsa alegria nas fotos postadas nas redes sociais transparecem, algumas vezes, a falta de sentimento verdadeiro entre as pessoas.
Na atualidade, há ausência de propósito para se fazer determinadas atividades, como o autorretrato. Isto fica bem claro quando se compara aos objetivos dos antigos pintores. Estes representavam a si mesmos, em quadros que, além de perpetualizá-los, na história, caracterizavam sua visão da própria realidade. Porém, hoje, os “selfies” se tornaram usuais e bem acessíveis, nas redes sociais, promovendo uma visão narcisista do mundo e do próprio reflexo individual, uma antítese, diante da tristeza dos autorretratos dos pintores do passado.
Como se não bastasse, diante dessa realidade egoísta, muitas empresas lucram com a moda das fotos. Celulares novos, câmeras modernas, maquiagens e roupas estão entre os objetos de desejo desses assíduos consumidores. Esta situação está gerando fanáticos por compras, que tentam se autopromover, nas redes sociais, mesmo que isso os adoeça ou os endivide. E por qual objetivo? Talvez aparecer na internet, ou apenas para provar a si mesmos que são bons ou melhores que alguém.    O impressionante é observar que esta excessiva preocupação com a opinião alheia é uma das características do tempo dos “selfies”.
Com base nesses problemas de autoconfiança, é necessário se questionar se o objetivo dos autorretratos é individual ou coletivo. Pois, não é admissível que pressões externas empurrem as pessoas para o caminho do retrocesso. Neste cenário, em que fotos e redes sociais se tornaram itens quase obrigatórios, é necessário refletir se são de fato necessários ou se são usados apenas para motivos fúteis e sem fundamentos, ou seja, pura perda de tempo, pois não transmitem conhecimento e nem ensinamentos para a vida.

Briana Henriques Machado Tarabai. Vestibulanda.

Tema: O tempo dos “selfies”.