Terra dourada

Postagem : 25 de outubro de 2011

O Brasil sempre apresentou problemas históricos. Diante disso, é importante relembrar fatos que explicam os impasses enfrentados, na hipermodernidade, pela nação que vem se impondo, cada vez mais, em nível local e internacional.
Nessa perspectiva, é pertinente ressaltar a falta de noção econômica e técnica na projeção de um futuro próspero durante os séculos XVIII e XIX. Sabe-se que os reis portugueses usufruíram da riqueza do Brasil para financiar o consumo de suas Cortes. Some-se a isso, o desperdício de mais de mil toneladas de ouro amarelo na industrialização da Inglaterra. Tudo indica que não tinham o conhecimento de que o metal precioso se esgotaria. O mais incrível é que, dois séculos depois, a natureza presenteia o Brasil com reservas de um novo ouro. É claro que, dessa vez, sabe-se que o petróleo ficará obsoleto. Isso é importante para que não se volte ao erro do passado, perdendo, mais uma vez, a chance de transformar os recursos naturais em desenvolvimento social, cultural e econômico.
Nesse contexto, é oportuno constatar também que os senadores Aloysio Nunes e Cristovam Buarque apresentam projetos de lei em curso que têm como proposta central a transformação do fluxo de renda dos recursos do Pré-sal em capital permanente. Deve ser dito ainda que a rentabilidade será usada para financiar o capital do futuro: o conhecimento. Nessa mesma linha de raciocínio, vê-se que, se os reis de Portugal tivessem aplicado o rendimento das mil toneladas de ouro pressupostas na educação de base e na infraestrutura científica e tecnológica, Brasil e Portugal teriam uma posição completamente diferente no cenário mundial.
Como se nota, os empreendimentos atuais irão influenciar, de forma notória, no futuro do país. Em virtude dessas considerações, fica evidente que o passado foi de abandono, o presente é de preocupação e o futuro poderá ser brilhante, se as autoridades e o Estado pensarem no público. Portanto, a hora atual é de investir no capital intelectual e na engenharia social, para que o Brasil, que esteve deitado eternamente em berço esplêndido, possa espelhar, em seu futuro, a sua grandeza continental.

Camila Rodrigues (vestibulanda de Medicina, 18 anos)