Tu, Ele, Nós, Vós e Eles

Postagem : 12 de agosto de 2020

O “Mito de Protágoras” retrata o surgimento da espécie humana e da civilização. Nele, é dito que Zeus, ao ver que os humanos corriam risco de extinção por serem individualistas, manda Hermes dar a estes a justiça e o pudor, tornando possível a vida em comunidade. Embora seja uma história fictícia e antiga, ela representa bem o ser humano: um ser social e individualista. Esse paradoxo é resultado de duas necessidades humanas, a comunhão e a segurança. Nisto, observa-se um lado bom e outro ruim do individualismo, ambos frutos deste mundo caótico.

Primeiramente, é fato que, com o passar do tempo, as configurações sociais foram se alterando. O século XX, por exemplo, foi marcado por um mundo dividido em extremos, como retratado pela Guerra Fria. Já na atualidade, nota-se uma sociedade dividida não em polos, mas em “Eus”. Sim, um senso comunitário voltado para a primeira pessoa do singular, não a do plural. Essa verdade revela um mundo definido pelo radical latim “Ego” e seus derivantes: egoísta e egocêntrico. Aqui se encontra o lado ruim, pois muitos exaltam a si mesmos a custo de rebaixar os outros.

No entanto, devido a este mundo caracterizado pela entropia e pela segregação social, muitos optam por se isolarem e tentarem ser autossuficientes. Essa reclusão social não se trata de uma ação egoísta, tentar se sobressair, e sim, de um mecanismo de defesa. É uma tentativa de alcançar a “Maioridade”, ou seja, a independência no pensar e no agir, proposta pelo filósofo prussiano, Immanuel Kant, e de se sentirem seguros ao se isolarem de um mundo tão perigoso. Este é o “lado bom” do individualismo, o lado que permite que o indivíduo seja um “empreendedor de si mesmo”, sem que para isso tenha que sobrepujar o outro.

Em síntese, fica evidente que há necessidade de preservar os pontos bons e eliminar os ruins. Para isso, o Ministério da Educação deve trabalhar com o propósito de moldar os indivíduos para serem mais altruístas. Isso pode ocorrer, por exemplo, com a introdução de projetos sociais nas escolas e o aumento na frequência dos trabalhos em grupo. Espera-se que assim, haja a elaboração de uma sociedade repleta de empatia e gentileza, preocupada não apenas com o “Eu”, mas com “Tu, Ele, Nós, Vós e Eles”.

Tema: O individualismo move a humanidade contemporânea?

Autor: Bruno Dias. Aluno do Centro de Escrita Regina Magalhães.