Vida para consumo

Postagem : 13 de maio de 2016

O consumo exagerado é um agravante para o mundo pós-capitalista, pois é uma armadilha silenciosa e não perceptível. A obsolescência atua anexada ao consumo desnecessário e a publicidade age como complementos para os efeitos negativos à sociedade.

A obsolescência pode trabalhar de várias maneiras. Uma delas está focada na influência psicológica do cidadão. Resume na exclusão social de um indivíduo, quando não há consumo do que está em uso. Zygmunt Bauman, sociólogo, polonês, pesquisou a sociedade contemporânea, mas precisamente, a transformação dos indivíduos em mercadorias. Inspirado nas relações de consumo e venda, escreveu o livro “Vida para consumo”, em que explica essa busca desenfreada e estimulada pela mídia e pela moda, para valorização do ter.

Já o consumo programado é uma técnica utilizada por fabricantes que consiste em produzir itens já estabelecendo o término da vida útil. É preocupante essa constatação, pois indica um dos motivos para o consumo exacerbado. Outro incentivo importante é a manipulação midiática utilizada por meio da publicidade. Ela induz à compra, muitas vezes, para substituição de produtos que o cidadão já possui e influencia de tal modo, que a pessoa que não consome, sente-se excluída socialmente.

Diante de todos esses aspectos, é fácil constatar que a vida está sendo usada para consumo e o consumidor é o ponto principal para um ciclo de produção de capital. Faz-se necessário que todos tenham consciência de que o valor de um indivíduo está no ser e não no ter. É indispensável que as autoridades responsáveis exijam a fabricação de produtos mais duradouros e que a união dos movimentos sociais tente mudar esse modelo econômico que ainda interfere no mundo contemporâneo.

Ana Cláudia Cantarino. Aluna do Curso Centro de Escrita Regina Magalhães (2016).

 

Tema: Obsolescência planejada: armadilha silenciosa na sociedade de consumo.